Halloween Days - Parte 8

Eu estava fugindo na cara dura das perguntas de Taylor. Era muito fácil engana-lá por e-mail, mas cara-a-cara era mais difícil mentir.
Eu não gostava de fuça a mente de ninguém, mas a dela estava tão cheia de indagações e duvidas que era quase impossível d'eu não notar. Sempre que algum sentimento se manifestava muito forte numa pessoa, ele se tornava perceptível para os vampiros.
Acabamos sentados em baixo de uma enorme árvore. A conversa superficial tinha se acabado e havia restado apenas um clima tenso no ar.
Taylor expirou ruidosamente:
_Ok, chega de fugir né? Conte  o que está acontecendo!
Eu apenas ri, nervoso.
_Erick...por favor. Estou preocupada com você, já tive até pesadelos com isso_falou ela, de repente perdida em alguma lembrança medonha. Com toda certeza eu mataria Mark se eu o encontrasse novamente.
_É complicado_respondi apenas.
_Mas nós somos amigos!_protestou ela_Se você tem um problema, eu também tenho! Erick, por favor, eu sei que tem algo errado, por favor, me deixe ajudar!
Eu fiquei em silencio. Como eu contaria essa história maluca que era a minha vida?
"Olha Taylor, quando eu fui embora há 3 anos atrás, foi porque eu descobri que eu era um vampiro. Mas fique tranquila, eu não vou matar você pois o cheiro do sangue humano fica mais ameno perto do Hallowen. Ah, mas não fique tãããão tranquila assim, afinal meu irmão Mark está na cidade e ele é um vampiro nada bonzinho."
Eu dei um meio sorriso torto, amargo, e Taylor tremeu. Olhei para ela e uma leve onda de pavor passava por seus olhos enquanto ela me observava.
Ela estava sofrendo. Por minha causa. Eu não conseguia aguentar isso; cheguei mais perto dela e a abracei, ela enterrou o rosto em meu pescoço que já estava queimando por causa do cheiro dela.
_Erick...
Eu não deixei ela prosseguir. Eu provavelmente estava ficando doido em fazer uma coisa dessas, mas eu fiz. Eu a afastei de mim o bastante para encaixar um beijo nela, um famoso cala-a-boca.
Pensei que iria tomar um famoso tapa-na-orelha (não que fosse doer), mas me enganei. Ela correspondeu ao meu beijo de uma forma enlouquecedora.
Passei a mão pela sua cintura e a segurei bem perto do meu corpo; ela estava muito quente. Uma voizinha lá no fundo me dizia que isto era errado. Taylor passou a mão nas minhas costas por dentro da camisa e eu simplesmente maculei a tal vozinha. Fácil assim.
Da sua cintura, minha mão desceu para seu quadril, sua coxa...até que eu inspirei para tomar fôlego. E para acabar totalmente com o clima, pois o cheiro do sangue de Taylor passou pelo meu nariz queimando feito aspirar fogo, fazendo eu recuar bruscamente. Ainda de olhos fechados calculei mentalmente o tamanho dos danos. O cheiro não era tão tentador, estávamos à dois dias do Halloween, então dava para aguentar. Eu abri os olhos.
_Ãnn... isso foi...diferente. _falou Taylor, sem graça.
_É, pensei que fossemos somente amigos!_falei, em tom de brincadeira. Forçado, pois minha garganta ainda doía.
Taylor corou loucamente.
_Bom, eu mais ou menos já esperava por isso_falei num tom sério.
_Eu não_disse ela, distante.
No que ela estaria pensando?
_Está brava comigo?
_Não_apressou-se ela em dizer_Apenas confusa.
Ficamos em silêncio por mais um tempo. Depois Taylor disse que tinha que ir para casa, então nos levantamos e começamos à andar novamente.Havia apenas o silêncio e um abismo estranho entre nós. Nem em 3 anos eu consegui abrir um abismo desse, agora em 5 minutos eu tinha criado um universo inteiro entre nós.
Ela me convidou para ir para a casa dela, disse que seus pais ficariam felizes em me reencontrar, mas eu não aceitei. Prescisava ficar sosinho para pensar qual seria o próximo passo.
Ela me deu um beijo no rosto e subiu a avenida 15, pensativa.

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