Nostalgia

Pois é, a Desocupada ficou nostálgica. Estava aqui pensando em como foi o meu primeiro dia de aula na escola técnica em que eu estudo hoje em dia (a escola sugadora de vida) uma vez que meus dias lá estão contados.
Não, eu não estou sendo expulsa. Mas o ano está acabando... Pois é, triste. 
Ai vai um conto curtinho contando com todos os detalhes sórdidos os primeiros minutos do primeiro dia do último ano...

"Caminhei até a porta de entrada da minha nova escola e parei. Dei um longo suspiro e pensei "Essa será minha última escola".
Por um momento julguei meu pensamento irônico, uma vez que este era o último ano de escola; logo eu não teria mais como mudar de colégio. Então lembrei-me da sexta série e do segundo ano em que eu cursei em duas escola distintas e estes acontecimentos deram um ar mais solene ao meu pensamento.
Outro suspiro.
Ah dane-se.
Eu realmente não iria reclamar. Até porque mudar de escola, desta vez, foi total ideia e culpa minha. Eu iria me focar nos estudos, estudar, estudar e estudar. Minha melhor amiga, que eu abandonei na outra escola, entenderia meu dilema. E eu agora estudava na melhor escola de Barretos, ao contrário da última em que eu me encontrava.
Por fim, resolvi entrar logo antes que minha mãe pensasse que eu havia desistido e estava querendo voltar correndo para o E. E. Almeida Pinto. E eu não queria ter um motivo para realmente mudar de ideia.
Utilizando meus poucos conhecimentos sobre a área recolhidos no dia do Vestibulinho - vestibulindo no qual eu fiquei em primeiro lugar - localizei a entrada e segui a velha tática do "siga a multidão". Essa tática já havia sido testada em sete escolas diferentes e em dois Estados distintos, então eu podia afirmar com certeza que não funcionava. Mais ainda assim eu insistia em usa-lá.
Nos fim das contas eu estava totalmente perdida, cercada de rostos estranhos. Eu já havia enfrentado primeiros dias demais para me sentir intimidada com isso, mais ainda assim me sentia desnorteada nessas circunstância. Eu já não deveria estar acostumada, poxa?
Mas os primeiros dias em escolas novas são sempre assim, é como pousar em um outro planeta e respirar uma nova atmosfera...
Desisti de adivinhar o caminho e pedi ajuda:
_ Oi, você poderia me dizer aonde fica o 3º B?
A garota de cabelos cacheados e olhos ligeiros me olhou por um instante e depois respondeu pensativa:
_Hum... Acho que sei. Vem comigo!
E então ela agarrou o meu braço e começou a me puxar escola adentro, se desviando com agilidade das outras pessoas.
_Você vai ter que andar bastante. Sua sala é longe_ Comentou ela, em tom de reclamação.
_Ah.
Eu ainda ficava boquiaberta com o modo extrovertido dos paulistas. No Paraná, meu antigo estado, eu demoraria anos para andar de braços dados com alguém pela escola. Bom, talvez isso acontecesse caso eu estivesse passando mal ou coisa do gênero. As pessoas de lá eram muito reservadas...
Tentei gravar o caminho que estávamos fazendo mas sabia que esqueceria todo o trajeto e me perderia humilhantemente naquela escola. Tentei reconhecer os rostos que passavam por mim, mas todos eles eram desconhecidos.
E então, chegamos ao 3º B. A menina se despediu e eu agradeci a ela a atenção.
_Imagina! Precisando é só chamar._Disse ela e se foi, enquanto eu tentava me lembrar do nome dela. Eu havia perguntado afinal? É, eu não lembraria tão cedo.
Naquele instante só o que eu vi foi uma porta de madeira, com alunos desconhecidos diante dela. Uma sala. Mais uma sala qualquer.
Quem diria que ali seria o palco de um dos melhores anos de minha vida?

  

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